16 setembro 2009

Se

Já te sei
Se não te soubesse...
Já te vi
Se não te conhecesse...

Soube que eras
Sem saber que
Se eras como fosses
Serias quem não quis

Sem saber
Se o sentimento que sentia
Era aquele que
Se sentisses, o mesmo

Sabia, sem dúvida
Que o que queria
Era que soubesses
Que o amor que tenho por ti não tem "ses"

10 setembro 2009

Há tanto

Há tanto que escrevo
Há tanto que escondo
O silêncio estranho que quero
E não encontro
Ruído
Fiquei aqui
Em mim
Cega de ver que passei
E nem percebi
Silêncio
Às voltas...
Quantas e quantas vezes
Deitada
Tentando enviar mensagens
Por telepatia...
Queria que me soubesses
O tanto que me sei
Num espaço, momento
Parado
Em sintonia...
Estamos,
Em frequências opostas
Olhares semelhantes
De inquietação, desejo e saber
Que nos sabemos tão bem...
Nós
Eu e mais alguém...

09 agosto 2009

Silêncio


Já não me lembro bem como foi, sei que sabia mesmo antes de acontecer, que querias saber quem eu era, como era... Aproximaste-te, devagar, num silêncio ensurdecedor que acalmava as minhas ansiedades.

Não havia pressa, nunca houve e não haverá. Penso que nunca a tiveste ou disfarçaste bem, muito bem diria até.

Deitaste-me na cama, lavada, os meus sapatos de salto alto caíram-me dos pés sem os sentir. Desceste e o meu vestido preto ao qual te encostaste numa tentativa de lhe tirar o cheiro, num desejo que ele saísse naquele mesmo instante, ficou entre nós impedindo que os nossos corpos, a nossa pele se sentisse. Estava quente, estavas quente.

Lembro-me de sentir o teu rosto, àspero, nas minhas coxas, cerrei os olhos, apertei os lábios e absorvi aquele incómodo prazer. Foi num ápice que atingiste o meu pescoço e beijaste a minha boca apertada. Tímido, sincero, era ali que queríamos estar...

Senti cada momento, bebi cada beijo, mergulhei no teu cheiro e notei a sintonia que tinha com o meu.

Depois, depois ficava, encostada ao teu peito escutando o teu pulsar, lento, de quem muito viveu. A cada inspiração tua estremecia, em silêncio.

Passado algum tempo, não sei ao certo quanto (perdia-me sempre no tempo), vestias a roupa cuidadosamente deixada na cadeira do canto, e no mesmo silêncio em que me conquistaste, saías.

Eu ficava. Inspirando, encostada aos lençóis, cada gota da essência que ali havias deixado. Vivia tudo novamente em pensamento.

Eu ficava. Esperava, em silêncio, que tudo se repetisse.

E em silêncio fiquei...

Eu a Vida e o Amor


É assim
A Vida
A minha
Cíclica, redonda
Como a própria terra
Achatada nos pólos
Com o interior em chamas
Pedra líquida que solidifica
Tornando-se em sentimento
Sabendo eu, só um
Que se desdobra...
Não sou de amizades
Gosto de coisas por inteiro
De tudo ou de nada
Uma laranja e poucos gomos
Amo e pronto!

19 julho 2009

Entreaberta


Ainda deitada acordei
Vi-te a meu lado
Quente, manso, tranquilo
Pendente para mim
Querendo mais

Esperei
Por ti
Pelo teu acordar
Aguardei e inspirei
Cada expiração
Que sentia
Que saía e ficava
Pairando no ar

A janela aberta
Fazia-me sentir
Aquele cheiro
Profundamente fresco
Intensamente claro
Purificante

A luz era fracamente forte
Como sempre foi
Àquela hora
Na manhã tardia

Do dia
Que não esperávamos
Não o queríamos
Como dia
Só para nós...

Suficiente era aquele quarto
Aquela janela
Aquele respirar profundo
Suficiente para esperar
Por outro momento assim
Sem tempo

14 julho 2009

Espreitar

Perdida de momento
Desesperada
Por ser
Eternamente encontrada
Por ti
Quem sabes
Quem sou
Que nada teme
Nem quer
Mais
Que aquilo
Que carrego
Comigo
Dentro, de fora
Na penumbra
No anseio
Triste e melancólico
De quem nunca teve
Quem a encontrasse
E que vive
Sabendo que perdida
Morreu

Digital

Perdi-me no tempo
Naquele momento
Que me soube
Bem, como ninguém
Sabe que de mim tem
O que nunca teve
Encostei-me naquela parede
Branca, fria
Quente de te ter
Por te ter
Como nunca tive
Alguém
Os meus braços pendurados
Sentiam
A cal
A ferver
Por baixo dos dedos
Envolvendo a impressão

Única como somos
E ninguém tem
Terá
Aquilo que é só meu
Teu
Nosso